Nos
dias 24, 25 e 26 de abril de 2014, a UFPE vivenciou as eleições para o
Diretório Central d@s Estudantes – DCE, momento político que não se via há
aproximadamente quatro anos. Ao seu término, no dia 26, foi dado início a
apuração dos votos do processo em questão. Diante do resultado, a Comissão
eleitoral - CE, seguindo o Regimento Eleitoral, decidiu por impugnar as
eleições, visto que o quórum (15% de tod@s @s estudantes de graduação e
pós-graduação, isto é, 7.850) fixado em regimento aprovado no Conselho de Entidades
de Base - CEB, não houvera sido alcançado ao fim do pleito que contou com 5.087 votantes (cerca de 10% do total de estudantes
matriculados na UFPE).
Antes mesmo de oficializada o posicionamento da comissão,
algumas forças políticas propuseram durante a reunião da CE (a qual ocorreu com
representantes de todas as chapas), levar a decisão de validar ou não o
resultado eleitoral para um CEB, enquanto outras argumentaram pela imediata
impugnação do processo, afirmando, inclusive, que legitimá-lo seria um golpe
político.
A posição do Movimento Por Uma Universidade Popular (MUP) (coletivo
que compôs a chapa 1 “Por uma Universidade Popular” até momentos antes do
início das votações quando veio a se retirar da contenda), a respeito de levar
a decisão para um CEB, foi de não concordar com tal proposta. Nosso
posicionamento assim apresentamos por entender que no contexto da UFPE, onde o
movimento estudantil – ME - está desacreditado perante a maioria dos
estudantes, onde temos uma forte crise de representatividade, sem falar das
nefastas consequências que nos trouxe as ilegítimas eleições de 2010 e 2011, legitimar
um processo desconsiderando as prerrogativas que lhe garantiriam o mínimo de
consenso sobre a sua validade, seria um erro político grave. Se por esse
caminho (o de levar a um CEB) fosse conduzido a resolução do impasse,
receávamos, inclusive, que o movimento estudantil entrasse de novo numa luta
fratricida, na qual o foco principal de uns seria derrubar o DCE que consideram
ilegítimo - interpretação que nos parece razoável depois do que assistimos no
último CEB - e o de outros manter a entidade ativa, perdendo-se assim o debate
político sobre que modelo de educação, universidade e sociedade queremos e
lutamos.
Ao mesmo tempo em que fomos contra legitimar a eleição sem
quórum, não concordamos ou fazemos coro com coletivos que dizem que a proposta
de legitimar a eleição foi um golpe ou uma tentativa de golpe. Precisamos ser
coerentes, amadurecer e parar de usar acusações vazias e irresponsáveis,
banalizando situações graves – como um golpe num processo eleitoral. A proposta
de validar as eleições, foi, outrossim, uma sugestão política válida e
compreensível, porém que consideramos errada e nos posicionamos contra – mesmo
entendendo a argumentação de que um DCE ativo é importante na luta estudantil
(fato do qual não discordamos, mas existem aí muitos outros elementos a serem
analisados, sobretudo ao levar em conta de que falamos do ME duma realidade
específica bastante adversa, qual seja, a da UFPE).
Por outro lado, também, discordamos das análises que atribuem
à chapa 2 “Inimigos do Rei” e ao coletivo Aurora a responsabilidade por
continuarmos sem gestão no DCE-UFPE. Esta nos parece ser uma análise
superficial sobre a conjuntura em que nos inserimos e pouquíssimo
autocrítica.
O não alcance do quórum é um reflexo de uma série complexa de
fatores que vão desde o longo período sem gestão legítima do DCE (quatro anos)
e a pouca representatividade de um movimento estudantil que tem se pautado mais
pela disputa de aparelhos do que necessariamente pelo trabalho de base, até as
falhas na condução do processo eleitoral (como o primeiro dia de eleições que
foi praticamente perdido devido a uma falha do NTI), passando inclusive pelo
não envolvimento dos estudantes na fase de elaboração do Regimento Eleitoral.
Tudo isto sob uma atmosfera de significativa dificuldade para as esquerdas
anticapitalistas no Brasil e no Mundo.
Acreditamos que o movimento estudantil como um todo (incluso
o MUP) precisa amadurecer, reinventar sua forma de fazer política, ampliar o
diálogo com @ estudante, pautar uma política estudantil verdadeiramente pela
base e tal processo deve se dá associado, transpondo os muros da universidade,
a organização da esquerda num contexto mais amplo.
Diante do exposto, no CEB realizado terça-feira (29/04) no
CCSA às 17h, no qual foi decidido o que deveria ser feito no pós-eleição, a
maioria dos DA’s e forças políticas presentes aprovaram a realização de novas
eleições num prazo de até 60 dias. Tal mecanismo é previsto no Estatuto do DCE,
documento máximo d@s estudantes da UFPE, e portanto não faz sentido de novo
falar em golpe. O MUP, contudo, discorda da realização de novas eleições
imediatamente. Esse desejo mostra a predominância de uma concepção no movimento
estudantil de priorização de disputa meramente do aparelho, em detrimento da
disputa ideológica no seio da juventude estudantil. Entendemos que é necessário
combater a crise de representatividade que existe hoje no movimento,
voltando-se ao trabalho de base, ao diálogo com @s estudantes, aos seminários,
debates, palestras, panfletagens, a agitação e propaganda em geral, ligando-se
de maneira firme e decidida as lutas populares e da classe trabalhadora.
Defendemos a posição de que uma Comissão Gestora deve ser
empossada e que a mesma fique responsável, junto com o conjunto d@s estudantes
e militantes do movimento estudantil, por impulsionar uma ampla campanha em
torno da necessidade e importância de se ter um DCE aberto e ativo com vistas a
resgatar a credibilidade do movimento estudantil e deste instrumento
imprescindível para a organização e luta d@s estudantes. Mas para evitar que
fiquemos esperando ilusoriamente o momento “ideal” para se fazer novas
eleições, propomos também que se estabeleça um indicativo de data para as
próximas eleições, sendo este, no mínimo, o próximo semestre letivo.
Ademais, esse trabalho não será obra de poucos que se
pretendem @s redentores do ME, pelo contrário, aqui se encontra mais uma vez o
desafio posto aos setores da esquerda anticapitalista de construir uma luta que
exige o esforço coletivo pela constituição de uma ampla unidade política capaz
de apontar para um projeto verdadeiramente alternativo de universidade
vinculado aos objetivos de superação da sociedade atual.
CRIAR, CRIAR, UNIVERSIDADE POPULAR!
Recife, 01 de maio de 2014
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